Enquanto algumas crianças precisam ser afastadas temporariamente do convívio familiar por determinação judicial, outras famílias em Belém decidem abrir as portas de casa para oferecer aquilo que toda infância merece: cuidado, proteção e afeto. Executado pela Prefeitura de Belém, por meio da Fundação Papa João XXIII (Funpapa) e parte da política de assistência social,o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora vem fortalecendo uma rede de proteção humanizada para crianças de 0 a 6 anos.
Crédito: Sabrina Linhares - Ascom/Funpapa
Crédito: Sabrina Linhares - Ascom/Funpapa
Como parte das ações de fortalecimento da política de proteção à infância, a Prefeitura de Belém, por meio da Funpapa, realizanos dias 2 e 3 de junho o II Seminário Municipal sobre Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, reunindo profissionais, famílias acolhedoras e representantes da rede de proteção para discutir experiências, desafios e estratégias de fortalecimento do serviço na capital paraense.
Super Retângulo Texto (790x90) - Posição 11
Atualmente,o município conta com 33 famílias habilitadas no serviço, que acolhem temporariamente crianças em situação de vulnerabilidade, garantindo convivência familiar e comunitária durante o período de proteção.
Mais do que um serviço, a iniciativa representa histórias reais de transformação, acolhimento e amor.
“Um ato de amor”
A dona de casa Joyce Sampaio acolheu recentemente um casal de irmãos, uma criança de 3 anos e outra de 5 anos. Para ela, a experiência tem sido marcada por aprendizado, renovação e afeto.
Foto: Reprodução/Agência Belém
Foto: Reprodução/Agência Belém
A rotina da casa mudou para receber as crianças e os hábitos passaram a ser construídos em meio a brincadeiras, cuidado diário e convivência.
Acolhimento como proteção
A servidora pública Sheila Sharadine participa do serviço há um ano e viveu recentemente o primeiro acolhimento: uma criança de 4 anos permaneceu por dois meses sob os cuidados da família.
Foto: Reprodução/Agência Belém
Foto: Reprodução/Agência Belém
Crédito: Sabrina Linhares - Ascom/Funpapa
Crédito: Sabrina Linhares - Ascom/Funpapa
Ela destaca que o vínculo afetivo criado durante o acolhimento é natural, mas reforça a importância da preparação oferecida pela equipe técnica do serviço.
Foto: Reprodução/Agência Belém
Foto: Reprodução/Agência Belém
Após o período de acolhimento, a criança retornou à família de origem e hoje está sob os cuidados da avó, Alderina Costa.
Segundo a psicóloga da Família Acolhedora da Funpapa Roberta Brito, o serviço funciona como medida de proteção para crianças que sofreram algum tipo de violação de direitos.
Foto: Reprodução/Agência Belém
Foto: Reprodução/Agência Belém
Ela ressalta queo acolhimento familiar oferece um ambiente mais próximo da convivência cotidiana e do desenvolvimento afetivoe que o principal propósito do serviço égarantir proteção e dignidade à infância.
“A Família Acolhedora é uma modalidade que muda a lógica do acolher, pois coloca no formato familiar e não em uma instituição. A criança se adapta mais facilmente e se reconhece em família do que em uma instituição com outras crianças”, destaca.
Para Roberta, o principal propósito do trabalho é garantir proteção e dignidade à infância. “O que me move é a luta para que a infância tenha seus direitos e proteção, para que seu começo de vida seja o melhor possível”, afirma.
Crédito: Sabrina Linhares - Ascom/Funpapa
Crédito: Sabrina Linhares - Ascom/Funpapa
”Mudou completamente a nossa vida”
Há dois anos no programa, Rayane Lima já acolheu nove bebês. O mais recente chegou à família com apenas 11 dias de vida.
Foto: Reprodução/Agência Belém
Foto: Reprodução/Agência Belém
Mãe atípica de um menino de 6 anos, ela revela que inicialmente tinha receio de como o filho reagiria à chegada dos bebês na casa.
Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho
“Eu me preocupei muito com ele, achava que poderia sentir ciúmes, mas foi totalmente diferente. Ele já era carinhoso e ficou ainda mais. Foi muito bom para o desenvolvimento dele. Hoje meu filho já consegue contar histórias para os bebês”, relata.
Raiane também conta que o acolhimento impactou positivamente toda a família, inclusive a mãe dela, que enfrentava um quadro depressivo.
“A chegada deles em casa fez com que ela saísse do quadro depressivo. Deu um outro sentido na nossa vida. O que importa é o bem que a gente faz. A gente pode fazer a diferença na vida de alguém, mesmo que seja por um período curto, já faz diferença na vida deles. É um sentimento único”, afirma.
Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho
Rede de proteção à infância
O Serviço de Família Acolhedora prioriza o cuidado individualizado e humanizado, evitando a institucionalização prolongada de crianças pequenas e fortalecendo vínculos afetivos essenciais para o desenvolvimento infantil.
Além do acolhimento dentro das residências, as famílias recebem acompanhamento técnico multiprofissional durante todo o processo. O serviço também atua integrado à rede de assistência social e ao sistema de garantia de direitos.
O acolhimento é temporário e não se trata de adoção. O principal objetivo é garantir proteção enquanto a situação familiar da criança é acompanhada judicialmente.
Mais do que acolher temporariamente, as famílias participantes ajudam a reconstruir sentimentos de segurança, pertencimento e esperança em uma fase decisiva da vida dessas crianças.
Serviço:
II Seminário Municipal sobre Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora
Data: 2 e 3 de junho
Horário: 8h às 12h e das 14h às 17h
Local: Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), na travessa Antonio Baena, 1113 – Marco, Belém.